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quinta-feira, 22 de junho de 2017

Aécio Neves é denunciado de novo, agora por lavagem de dinheiro

leader Senator Aecio Neves speaks during the senate impeachment trial of Brazilian suspended President Dilma Rousseff at the National Congress in Brasilia. President Michel Temer reeled on May 18, 2017 from a report that he authorized payment of hush money to a jailed politician in a scandal threatening to plunge Latin America's biggest country into political meltdown. In another blow for the veteran leader of the center-right PMDB party, his key ally Senator Aecio Neves from the PSDB party was targeted by anti-graft police early
Ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, abriu nesta quinta-feira, 22, mais uma investigação contra o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), desta vez por lavagem de dinheiro; segundo a Procuradoria-Geral da República, o novo inquérito deve apurar suposto recebimento pelo senador afastado de mais de R$ 60 milhões em propina, por meio de notas fiscais frias da JBS; na primeira investigação aberta no STF com base nas delações da JBS, Aécio é acusado dos crimes de corrupção e obstrução da Justiça, por solicitar R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista
Agência Brasil – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio decidiu hoje (22) abrir um novo inquérito relacionado ao senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) pelo crime de lavagem de dinheiro. O pedido de abertura foi feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR), após o parlamentar já ter sido denunciado por corrupção.
Agência Brasil – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio decidiu hoje (22) abrir um novo inquérito relacionado ao senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) pelo crime de lavagem de dinheiro. O pedido de abertura foi feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR), após o parlamentar já ter sido denunciado por corrupção.
De acordo com a PGR, o novo inquérito deve apurar suposto recebimento pelo senador afastado de mais de R$ 60 milhões em propina, por meio de notas fiscais frias da JBS.
Denúncia anterior

Na primeira denúncia, Aécio é acusado dos crimes de corrupção e obstrução da Justiça. A procuradoria acusa o senador afastado de solicitar R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, um dos delatores da JBS.
Sobre a acusação de obstrução da Justiça, Janot sustenta que o senador afastado tentou embaraçar as investigações da Operação Lava Jato, na qual também é investigado, ao “empreender esforços” para interferir na distribuição dos inquéritos dentro da Polícia Federal. Ao fim, o procurador solicitou ao STF que Aécio e sua irmã sejam condenados ao pagamento de R$ 6 milhões por danos decorrentes dos casos citados de corrupção.
Após ser denunciado, a defesa do senador afastado disse que recebeu “com surpresa a notícia” da denúncia. “A defesa lamenta o açodamento no oferecimento da denúncia e aguarda ter acesso ao seu teor para que possa demonstrar a correção da conduta” de Aécio.
Fonte falando verdades

Rogério Correia, que há 13 anos investiga: Como funcionava e quem blindava a turma de Aécio; sob a Lei Kandir, Minas perdeu R$ 135 bi em arrecadação

Rogério Correia (à esquerda): “Todos sabiam das denúncias contra o Aécio, só que preferiram ignorá-las solenemente e blindar o senador de forma absurda”. No topo, da esquerda para a direita: ministro Gilmar Mendes, juiz Sérgio Moro, PGR Rodrigo Janot. Na coluna à direita, de cima para baixo: ex-PGR Roberto Gurgel, ex-procurador de MG  Alceu José Torres Marques, Danilo de Castro. No pé, Oswaldo Borges da Costa, Oswaldinho, e Danilo de Castro com Antonio Anastasia.
Rogério Correia (à esquerda): “Todos sabiam das denúncias contra o Aécio, só que preferiram ignorá-las solenemente e blindar o senador de forma absurda”. No topo, da esquerda para a direita: ministro Gilmar Mendes, juiz Sérgio Moro, PGR Rodrigo Janot. Na coluna à direita, de cima para baixo: ex-PGR Roberto Gurgel, ex-procurador de MG  Alceu José Torres Marques, Danilo de Castro. No pé, Oswaldo Borges da Costa, Oswaldinho, e Danilo de Castro com Antonio Anastasia.
por Conceição Lemes
Ao disputar a presidência da República, em 2014, Aécio Neves, queridinho da Globo, Veja, Isto É, Época, Estadão, Folha, recebeu apoio maciço da grande mídia, que prontamente incorporou o slogan dos marqueteiros dele — “o homem preparado para governar o Brasil”.
Neto do doutor Tancredo, bonitão, tucano.
Um perfeito menino do Rio, com “brasão” tatuado no braço.
Um príncipe.
No início da noite de 17 de maio, assim que caiu na rede a reportagem de O Globo, revelando grampos-bomba, ele começou a se transformar:
* Joesley Batista, dono da JBS, havia gravado uma conversa de 30 minutos com o senador e presidente nacional do PSDB, pedindo-lhe R$ 2 milhões.
*O dinheiro vivo, entregue a um primo de Aécio, Frederico Pacheco de Medeiros, foi depositado na conta de empresa do senador Zezé Perrella (PMDB-MG).
Na manhã do dia seguinte, 18 de maio, ao olhar-se no espelho, ele viu um sapo.
O primo Fred e a irmã, Andrea Neves, tinham sido presos em suas casas, na Grande Belo Horizonte.
Andrea é considerada operadora do irmão nas irregularidades investigadas pela Lava Jato. Fred foi o administrador financeiro da campanha de Aécio à presidência.
O seu gabinete no Senado, a casa em Brasília, o apartamento no Rio de Janeiro e o em Belo Horizonte foram alvo de busca apreensão pela Polícia Federal (PF).
O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento imediato de atividades parlamentares, mandou apreender o passaporte e o proibiu de ter contato com outros investigados.
No final da tarde, menos de 24 horas após a denúncia vir a público, Aécio pediu o afastamento da presidência do PSDB. Em comunicado oficial, disse:
“Me dedicarei diuturnamente a provar a minha inocência e de meus familiares para resgatar a honra e a dignidade que construí ao longo de meus mais de 30 anos de vida dedicada à política e aos mineiros, em especial”.
A cada dia, novas denúncias são divulgadas. Aguarda-se para breve a delação de Oswaldo Borges da Costa, o Oswaldinho, principal operador de Aécio, inclusive na Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig).
O príncipe virou irremediavelmente cururu. Aquele que, quando morre, nem formiga come.
Pesquisa da CUT/Vox Populi divulgada na segunda-feira passada (06/06) sobre intenção de voto para presidência da República em 2018 aponta nessa direção. Aparece com zero por cento de intenção de voto.
“Aécio ludibriou os brasileiros”, disse há alguns dias o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
“Judiciário, Ministério Público, imprensa e mesmo boa parte dos eleitores tinham conhecimento das denúncias envolvendo o senador Aécio”, rebate o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG), em entrevista exclusiva ao Viomundo.
“Eu mesmo entreguei a essas instituições — em alguns casos várias vezes — documentos demonstrando improbidade administrativa, corrupção, truculência contra os que dele discordavam, entre outros crimes do senador Aécio”, atenta Rogério.
“Assim como eu sempre passei amplamente à grande imprensa essas denúncias”, frisa.
“Só que todos preferiram ignorá-las solenemente e blindar Aécio de forma absurda”, põe o dedo na ferida.

Segue a íntegra da nossa entrevista:

Viomundo –Nos últimos 13 anos, o senhor remou contra a maré na Assembleia Legislativa. Foi praticamente uma voz solitária, persistente, contra os malfeitos de Aécio Neves, Antônio Anastasia e o PSDB de Minas. Tem ideia de quantas representações fez contra as gestões deles ao Ministério Público Estadual (MPMG) e ao Ministério Público Federal (MPF)?
Rogério Correia – Nossa! Muitas, a maioria contra o Aécio. No levantamento que acabamos de fazer, a pedido de vocês, do Viomundo, nós elencamos uma porção delas. Mas há muito mais coisas.
Eu não coloquei, por exemplo, os parentes do Aécio que trabalharam nos seus governos para não dizerem que é um problema pessoal.
Não incluí também a perseguição implacável aos que ousassem discordar ou denunciar Aécio, tornando-se seus “inimigos”. Desse modus operandi de Aécio resultaram, por exemplo:
*Tentativa da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) de cassar o meu mandato.
*Prisão do jornalista Marco Aurélio Carone e o fechamento do jornal dele, o Novo Jornal.
* No mesmo dia da prisão do Carone,  houve invasão da casa do jornalista Geraldo Elísio – o Picapau –, com busca e apreensão de computador, pen-drives e documentos.
*Perseguição ao lobista Nílton Monteiro, que atuou nos bastidores tucanos e também foi preso.
*25 processos contra a Beatriz Cerqueira, coordenadora do SindUTE-MG e da CUT-MG, para intimidar a sua atuação sindical.
Viomundo – Conhece o Aécio?
Rogério Correia — Eu mal o conheço. Nós nos cumprimentamos umas poucas vezes em atividades institucionais. O meu problema em relação a ele não é pessoal.
Devido à minha persistência em denunciar os malfeitos dele, muitos brincam comigo: “isso é caso de amor (risos). Não é, claro! (risos, de novo)”.
O meu problema é com o que representam politicamente o aecismo e o PSDB mineiro. Eles provocaram o desmonte do Estado de Minas!
Esse processo começou com Eduardo Azeredo [1995 a 1999] e Fernando Henrique Cardoso [na presidência da República, 1995 a 2003].
Todo o setor financeiro de Minas foi entregue a empresas privadas, preferencialmente de amigos. Venderam o Bemge, o Credireal, a Minas Caixa. Venderam a Cemig. Até o Mineirão foi entregue à iniciativa privada dos amigos.
A Lei Kandir [Lei complementar nº87, de 13 de setembro de 1996], do governo Fernando Henrique, liquidou Minas!
Viomundo – Por quê?
Rogério Correia – Nós paramos de cobrar imposto de empresa exportadora. Em consequência, a mineradora explora minério de Minas e não paga imposto para Minas. Isso nos sufocou de tal maneira que o Estado perdeu o seu potencial de crescimento.
Da edição da Lei Kandir até hoje, Minas deixou de receber R$135 bilhões de impostos das empresas exportadoras de minério.
Hoje, a União cobra-nos uma dívida de R$ 80 bilhões! Se fizéssemos o acerto de contas, Minas seria credora de R$ 55 bilhões.
Importante: não foi só o Estado que deixou de receber, todos os municípios também.
Viomundo – E o Aécio?
Rogério Correia – Veio depois, com a história do choque de gestão. Como Minas estava quebrada, era preciso “enxugar” o serviço público, ele partiu para o desmanche da saúde, educação, segurança pública.
Anastasia [secretário de Planejamento nos dois governos Aécio] foi inventor do choque de gestão, Aécio, o político que comandava o esquema.
Leia-se: administração pseudomoderna, nitidamente neoliberal, que “enxugou” o Estado, liquidou com a Educação, a Saúde e Segurança Pública. Hoje, nós temos poucos soldados. Professores mal remunerados, sem plano de carreira. A saúde, em descalabro.
Em 2015, ao tomar posse, o Pimentel [governador Fernando Pimentel] assumiu um Estado completamente quebrado, endividado, sem recurso para investir. Esse é o resultado dos governos do PSDB em Minas.
Viomundo – Como ele conseguiu isso?
Rogério Correia – Por meio da blindagem absurda, que fez com que essa política do tucanato mineiro prevalecesse como se fosse pensamento único.
Além disso, toda a corrupção, o esquema de propinas, o jogo violento bem condizente com as características do próprio Aécio.
Ele conseguiu juntar uma tropa de choque parecida com a que o ex-senador Antônio Carlos Magalhães, o ACM, tinha na Bahia — aqui, o deputado Sávio Souza Cruz o apelidou de “Aecinho Malvadeza” — e o ex-governador Sérgio Cabral [atualmente, preso em Bangu], no Rio de Janeiro. Uma junção terrível.
A coisa ficou tão grave que Aécio conseguiu ser candidato a presidente da República e perder a eleição em Minas. Se ele não tivesse sido derrotado aqui, seria o presidente da República.
Viomundo – Por que perdeu aí?
Rogério Correia — As pessoas foram vendo que os os dois governos do Aécio [2003 a 2010] e o do Anastasia [2011 a 2014] eram uma farsa, apesar de toda a blindagem.
Viomundo – Considerando que a maioria das denúncias que o senhor fez  foi ignorada, arquivada pelas instituições que deveriam investigá-las, pensou alguma vez em desistir?
Rogério Correia – Nunca!
Viomundo – O que levou a persistir?
Rogério Correia – Alguém já disse: é possível você enganar uma pessoa a vida inteira ou enganar todo mundo durante algum tempo; já enganar todo mundo durante todo o tempo não é possível. Eu pensava comigo: um dia isso vai acabar. Espero ter contribuído, pelo menos, um pouco para isso acontecer.
Viomundo – Antes de o Aécio assumir o governo de Minas, como era a situação?
Rogério Correia — Eu já fazia oposição ao Eduardo Azeredo, quando ele era prefeito de Belo Horizonte [1990 a 1993], e eu, vereador.
Em1999, eu assumi a cadeira de deputado estadual na ALMG e Itamar Franco, o governo de Minas (1999 a 2003).
Itamar já denunciava os tucanos. Ele interrompeu o ciclo neoliberal do Azeredo, enfrentou o Fernando Henrique…
Mas, ao assumir o governo de Minas em 2003, Aécio retomou o ciclo neoliberal com muito mais força. Aí, a minha oposição aos tucanos se ampliou.
Viomundo – Ao longo desses 13 anos, a chamada grande imprensa, Judiciário, Ministério Público ignoraram solenemente as suas denúncias contra o governador e o senador Aécio Neves. Agora, se dizem “surpresos”, “traídos”, “espantados”. O que acha dessa reação?
Rogério Correia – (risos) Todos tinham conhecimento desse conjunto de denúncias que você está publicando hoje. Eu mesmo entreguei a essas instituições os documentos demonstrando as irregularidades, como improbidade administrrativa, corrupção, truculência desmedida contra os que dele discordassem.  Assim como sempre passei amplamente à imprensa essas denúncias. Só que preferiram blindá-lo absurdamente.
Viomundo – Nesse processo de blindagem quem destacaria?
Rogério Correia – Para começar, o seu núcleo político-operacional:
Antonio Anastasia: inventor do choque de gestão.
Andrea Neves: comandava com mão de ferro a imprensa mineira. A “Goebbels” das Alterosas. De 2003 a 2010, comandou o poderoso e estratégico Grupo Técnico de Comunicação, por onde passava toda a verba de publicidade do governo de Minas destinada à mídia. Em troca, mantinha sob silêncio absoluto os fatos negativos referentes ao irmão.
Danilo de Castro: por enquanto está aparecendo pouco, mas era o secretário de governo; fazia as articulações com deputados, Judiciário e Ministério Público.
Frederico Pacheco de Medeiros: Homem de confiança de Aécio na Cemig, onde foi diretor de 2011 a 2015. Articulador da venda de 1/3 das ações da estatal mineira à empreiteira Andrade Gutierrez , Fred foi ainda coordenador financeiro da campanha de Aécio à presidência da República em 2014. Assim como Andrea, está preso desde 18 de maio.
Oswaldo Borges da Costa Filho, o Oswaldinho: principal operador de Aécio,  é casado com uma das filhas do banqueiro Gilberto Faria, que foi casado com dona Inês Maria, mãe de Aécio. Presidiu a Codemig. A equipe dele é que arrecadava o dinheiro de propina da Cidade Administrativa. Em 2014, Aécio cruzou o Brasil em campanha a bordo do jatinho particular do Oswaldinho. Muita coisa ainda vai aparecer dele, que pode ser preso.
Viomundo – E institucionalmente?
Rogério Correia – Influência enorme tanto no MP quanto no TCE.
Viomundo – E o Ministério Público Estadual?
Rogério Correia – Enorme influência também. Entre os procuradores-gerais de Justiça,  o pior foi o dr. Alceu José Torres Marques, que ficou lá 2009 a 2012. Alceu não era engavetador. Era pior. Era o arquivador. Se fosse contra o Aécio, matava no peito. Era só mandar para ele. Brincávamos que era o Aeceu.
Viomundo – O dr. Alceu também impediu promotores de investigarem o Aécio?
Rogério Correia – Sim. O Alceu tirou  da mão do promotor João Medeiros o processo da Rádio Arco-Íris  e arquivou. O promotor recorreu ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que não lhe deu ouvidos, porque lá também o aecismo tem voz predominante.
No Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG), desde Itamar Franco, tinha um primo do Aécio chamado Tolentino que arrumava as coisas para os tucanos lá.
Não podemos nos esquecer da blindagem parlamentar-institucional. Aécio tinha controle absoluto da Assembleia Legislativa.
Viomundo – Via irmã Andrea?
Rogério Correia – Não, via Danilo de Castro, que recheava a base aliada de emendas, favores. Como Aécio tinha ampla maioria, ele não permitia que se criasse uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
Mesmos singelos requerimentos para pedir notícias, esclarecimentos, dados — por exemplo, sobre o volume de recursos publicitários aprovados para a Rádio Arco-Íris – não eram aprovados. E quando aprovados, a presidência da Assembleia Legislativa não encaminhava e eles eram arquivados.
A partir daí, eles passaram a ter também um domínio no PSDB nacional. Eles montaram um esquema tão forte aqui que conseguiram sobrepor-se ao PSDB de São Paulo.
Viomundo – Qual a explicação para isso?
Rogério Correia — Eles unificaram as elites aqui. Conseguiram uma unidade tão grande que saíram de Minas para o plano nacional, sempre em nome de Minas.
Só que não foi Minas. Foram as elites mineiras, o setor financeiro, o capital financeiro. Sobrepor isso a São Paulo era algo impensável. Eles conseguiram.
Viomundo – Quando o senhor diz “eles”, está se referindo ao núcleo político-operacional de Aécio?
Rogério Correia – Sim. O Aécio também tinha — não sei se mantém agora – tentáculos em Brasília, no Supremo Tribunal Federal, no Ministério Público Federal. Tanto que até agora o pau que deu em Chico não estava dando em Francisco.
No STF, frequentemente ele está tirando retratinhos com o Gilmar Mendes, pra lá e pra cá. Já o namorico com o Moro é recente…
Na verdade, o Aécio sempre teve um esquema nacional de muita proteção. Se esse sistema de proteção fosse só em Minas, ele já teria caído.
Agora, isso não se deve só ao esquema de blindagem. Tem a ver também com o fato de o Aécio ter sido escolhido pelas elites. Tem a ver com o modelo político e econômico que o Aécio e o grupo dele defendem para o Brasil.
Eles defendem os interesses dos mais ricos, das elites brasileiras. Essa unidade político-ideológica das elites, da direita, propiciou que ele crescesse tanto em Minas quanto no restante do País.
Viomundo – Voltando à blindagem do Aécio. No MPF, ela é muito evidente, tanto com o Gurgel quanto com o Janot, concorda?
Rogério Correia – Concordo. O Janot só agora começou a agir. Veja bem. Quando a gente entrava com uma representação aqui, no MPF de Minas, contra o Aécio, ela ia para Brasília, porque ele tem foro privilegiado. Só que lá o procedimento não andava. Já aqui, eles não faziam nenhuma força para sequer separar o que tinha que ir para Brasília de outros elementos que podiam ser investigados pelo MPF, em Minas.
Por exemplo, a denúncia que fizemos contra o Aécio e Andrea por ocultação de patrimônio decorrente da Rádio Arco-Íris (veja quadro).
Nós protocolamos aqui, em Belo Horizonte, ela foi para Brasília. Eu e os deputados Sávio Souza Cruz e Antônio Júlio fomos até a Procuradoria Geral da República.
O PGR era o Roberto Gurgel, antecessor do Janot. Ele deixou na gaveta durante dois anos e dois meses. Depois, quando estava para sair, ele arquivou.
Nós também estivemos na PGR, em Brasília, por causa da Lista de Furnas (veja quadro). Na primeira vez, em 2014, deixamos todos os documentos no gabinete do doutor Janot.
Na segunda vez, em 31 de janeiro de 2015, entregamos, pessoalmente, nas mãos dele. Na ocasião, ele nos disse que “estranhou o fato de o processo da Lista de Furnas só ter chegado agora [31 de janeiro de 2015] à PGR, a partir da intervenção dos deputados petistas”.
Só que, em 25/01/2012, a procuradora criminal Andréa Bayão Pereira, na época no MPF/RJ, concluiu seu trabalho sobre a Lista de Furnas, comprovando o esquema de caixa 2.
E o Janot simplesmente ignorou a denúncia dela, que naquela altura já trabalhava com ele no MPF, em Brasília.
Viomundo – E a blindagem da mídia?
Rogério Correia – Uma ou outra vez a gente conseguia furar o bloqueio da grande mídia, mas a grosso modo a blindagem em relação ao Aécio era absoluta.
A Andrea comprava o silêncio da mídia mineira. Só que essa mídia, além do silêncio em relação aos malfeitos do Aécio, atacava os adversários do Aécio.
A gente era vítima da “sua imprensa”, que se prestava o papel de injuriar, caluniar, quem não concordasse com Aécio Neves.
Nessa blindagem, incluem-se rádios e TVs de Minas. Uma blindagem absoluta, mesmo. Tanto que o dia em que a Andrea foi presa o Sindicato dos Jornalistas considerou o dia da liberdade de imprensa em Minas. Fizeram até festa.
Viomundo – E os órgãos de repressão?
Rogério Correia – Também faziam parte do esquema de blindagem do Aécio.
Nós tivemos a prisão do Carone, a prisão do Nilton Monteiro, a invasão da casa do “Picapau”, o fechamento do NovoJornal,
O Carone só não morreu, porque, felizmente, o secretário de Defesa Social à época, a meu pedido, transferiu-o de uma cela na Gameleira, onde estava tendo um infarto, para um hospital.
Eles torturavam  física e psicologicamente o Carone para que ele me denunciasse, dizendo que eu teria feito parte da falsificação da Lista de Furnas. Só que a lista é 100% verdadeira!
Às vezes eles recorriam também ao Ministério Público, ao Tribunal de Justiça, para intimidar os adversários.
Há 25 processos contra a Bia Cerqueira, presidente do SindUTE e da CUT/MG. Eles diziam que a Bia favorecia eleitoralmente os adversários do Aécio.
O que ela fazia com os sindicalistas, no período eleitoral, era chamar a atenção, fazer debates, chamar todos os candidatos para ver a posição que tinham em relação à educação.
Como o PSDB é inimigo da educação pública, eles tentavam impedir o sindicato de dizer as posições de cada candidato. Nós demos um flagrante com TV e tudo em 3 policiais P2, que estavam nas costas dela, tentando coagí-la a reprimir a greve.
Viomundo – O Aécio já mandou recado ao Pimentel, via deputado federal petista Gabriel Guimarães, para fazer o senhor maneirar nas denúncias contra ele. E, aí?
Rogério Correia — Nós não vamos dar trégua. Não adianta o Aécio ligar pra deputado do PT, governador, senador, nem para o papa. Aliás, o Papa Francisco não iria atendê-lo.
Crédito da tabela abaixo: Conceição Lemes, Viomundo; o aeroporto de Montezuma fica próximo e não “nas terras” do pai de Aécio, falecido; Aécio e Andrea herdaram a fazenda. O Viomundo fez um minidocumentário lá.
Conceição Lemes, Viomundo; o aeroporto de Montezuma fica próximo e não “nas terras” do pai de Aécio, falecido; Aécio e Andrea herdaram a fazenda
denuncias Aecio Neves do psdb
Na fotomontagem, algumas das idas de deputados ao Ministério Público de Minas Gerais e à Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília, para denunciar malfeitos do senador Aécio Neves
FONTE:Site Deputado Rogerio Correa

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Primo de Aécio entrega R$ 1,5 mi de dono da JBS

Frederico foi preso no dia 18 de maio durante a Operação Patmos

Primo de Aécio entrega R$ 1,5 mi de dono da JBS A defesa de Frederico Pacheco, primo do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), fez um depósito judicial nesta terça-feira, 13, no valor de R$ 1,5 milhão em agência da Caixa Econômica Federal no bairro Luxemburgo, zona sul de Belo Horizonte. Frederico foi preso no dia 18 de maio durante a Operação Patmos.

Os recursos depositados seriam parte dos R$ 2 milhões repassados pela JBS ao senador, conforme delação premiada de Joesley Batista, um dos donos da empresa. Frederico Pacheco foi um dos encarregados de transportar os recursos. Mendherson Souza Lima, que trabalhava para o senador Zezé Perrella (PMDB-MG), também teria participado do transporte do dinheiro.

No mês passado, a PF apreendeu duas sacolas com um total de R$ 480 mil na casa da sogra de Mendherson, em Nova Lima, na Grande Belo Horizonte. O mandado de busca e apreensão foi anexado ao inquérito que investiga Aécio, no dia 26. Frederico e Mendherson estão presos na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem.

A informação sobre o valor depositado na Caixa foi repassada pelo advogado de Mendherson, Antonio Velloso Neto. A operação foi acompanhada pela Polícia Federal.

‘Lavagem’

Para o advogado, o depósito realizado hoje mostra que não houve lavagem de dinheiro com o uso de conta-corrente de empresa do filho do senador Perrella, Gustavo Perrella.

Conforme as investigações da PF, parte dos R$ 2 milhões teria sido depositada na conta da Tapera Participações e Empreendimentos Agropecuários, que tem como dono Gustavo. "Não existe essa história de lavagem de dinheiro. Mendherson nunca lavou dinheiro na empresa do Perrella e nunca lavou dinheiro para ninguém", afirmou Velloso. "É a comprovação absoluta de que o dinheiro não está mais em circulação."

O advogado de Frederico Pacheco não atendeu ligações telefônicas nem respondeu a questionamentos feitos pela reportagem por mensagem. À época da prisão de Frederico e Mendherson, a defesa de AécioNeves afirmou que os R$ 2 milhões seriam um empréstimo para pagar seus advogados nas investigações da Operação Lava Jato

Fonte: http://www.opopular.com.br/editorias/politica/primo-de-a%C3%A9cio-entrega-r-1-5-mi-de-dono-da-jbs-1.1292781

sexta-feira, 2 de junho de 2017

PGR denuncia Aécio Neves ao STF por corrupção passiva e obstrução de Justiça

Também foram denunciados, mas somente por corrupção passiva, a irmã e o primo do senador do PSDB-MG, e um ex-assessor do senador Zeze Perrella (PMDB-MG). Os três estão presos.


PGR denuncia Mineirinho Aécio Neves (PSDB/MG... por psdbcensuradopeloyoutube

do G1 
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou nesta sexta-feira (2) ao Supremo Tribunal Federal (STF) o senador Aécio Neves (PSDB/MG) pelos crimes de corrupção passiva e obstrução da Justiça (leia a íntegra da denúncia).
Janot pediu, ainda, "a decretação da perda da função pública para os condenados detentores de cargo, emprego público ou mandato eletivo, principalmente por terem agido com violação de seus deveres para com o Estado e a sociedade."
Também foram denunciados, mas somente por corrupção passiva, a irmã de Aécio, Andrea Neves; o primo, Frederico Pacheco; e o ex-assessor parlamentar do senador Zezé Perrela (PMDB-MG) Mendherson Souza Lima.
Na denúncia, Janot pede que Aécio e Andrea Neves sejam condenados a pagar R$ 6 milhões a título de reparação por danos morais decorrentes de corrupção (R$ 4 milhões) e reparação por danos materiais (R$ 2 milhões) causados pelas condutas deles.

A denúncia é baseada nas investigações da Operação Patmos, em razão da qual Aécio foi afastado do mandato parlamentar, e Andrea Neves, Pacheco e Souza Lima foram presos. Eles foram citados nas delações premiadas de executivos da JBS. O senador se diz "vítima de uma armação".
Um dos elementos da investigação é uma gravação do empresário Joesley Batista, dono da empresa JBS, que registrou com um gravador escondido uma conversa entre ele e o senador.
No diálogo, Aécio pede ao empresário R$ 2 milhões a fim de pagar um advogado para defendê-lo na Operação Lava Jato.
A Polícia Federal filmou, com autorização do STF, a entrega por Ricardo Saud, diretor da JBS, de uma parcela de R$ 500 mil ao primo de Aécio, Frederico Pacheco, que posteriormente repassou o dinheiro a Mendherson de Souza Lima, assessor do senador Zeze Perrella (PMDB-MG). Pacheco e Souza Lima foram presos na Operação Patmos. 

A denúncia contra Aécio Neves será analisada pelo relator do caso, ministro Marco Aurélio Mello, que vai notificar os acusados a apresentarem defesa. Depois, em prazo não definido, levará o caso à Primeira Turma do STF, que decidirá se Aécio vira réu pela acusação.
Aécio é alvo de oito inquéritos no Supremo. Um deles é a investigação aberta a partir da delação dos executivos e donos da JBS, na qual o senador foi denunciado.
Há outros cinco inquéritos abertos para investigá-lo a partir das delações dos executivos e ex-executivos da empreiteira Odebrecht, todos no âmbito da Operação Lava Jato, e mais dois instaurados a partir das delações do senador cassado Delcídio do Amaral, que estão sob relatoria do ministro Gilmar Mendes.