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domingo, 19 de outubro de 2014

Elio Gaspari e os escândalos tucanos: Todos soltos, todos soltos, até hoje

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Elio Gaspari e os escândalos tucanos: Todos soltos, todos soltos, até hoje
O jornalista Elio Gaspari na sua coluna deste domingo (19) no jornal Folha de S.Paulo (link is external), presta uma serviço à memória nacional e relembra o que foram os escândalos tucanos citados por Dilma Rousseff nos últimos debates. Diferentemente do que acontece na gestão de Dilma, na qual as denúncias que surgem são investigadas e os culpados são punidos, nas gestões do PSDB os escândalos são, tradicionalmente, colocados debaixo do tapete.
Em debate na TV Band na terça-feira (14), Dilma perguntou a Aécio Neves: "Aonde estão todos os envolvidos com o caso Sivam? Todos soltos. Aonde estão todos os envolvidos na compra de votos durante a reeleição? Todos soltos. Aonde estão os envolvidos da pasta Rosa? Todos soltos. Aonde estão aqueles envolvidos no mensalão tucano mineiro? Todos soltos. Aonde estão aqueles envolvidos nos metrôs e na compra de trens em São Paulo? Todos soltos. O que eu não quero é isso, candidato. Quero todos os culpados presos. É essa a minha indignação que o senhor não enxerga".
No texto intitulado Todos soltos, todos soltos, até hoje, Elio Gaspari lembra o que foi cada um dos casos citados por Dilma, impunes até hoje. Se você não se lembra, venha com a gente nessa viagem ao passado para o qual não queremos voltar:
CASO SIVAM
Era o ano de 1993, governo Itamar Franco, e a empresa americana Raytheon foi escolhida para montar um sistema de vigilância no espaço aéreo da Amazônia. "Coisa de US$ 1,7 bilhão, sem concorrência", lembra Gaspari. Dois anos depois, já no governo FHC, o jornal New York Times publicou que, de acordo com os serviços de informações americanos, rolaram propinas no negócio. "Diretores da Thomson, que perdera a disputa, diziam que a gorjeta ficara em US$ 30 milhões", cita o jornalista, destacando que, claro, tudo poderia ter sido briga de concorrentes, até que um tucano grampeou um assessor de FHC e flagrou-o dizendo que o projeto precisava de uma "prensa" para andar e relatou uma conversa com um senador, onde afirmou que ele sabia "quem levou dinheiro, quanto levou".
Gaspari encerra a descrição do caso assim: "O tucano grampeado voou para a Embaixada do Brasil no México, o grampeador migrou para o governo de São Paulo e o ministro da Aeronáutica perdeu o cargo. Só. FHC classificou o noticiário sobre o assunto como 'espalhafatoso'".
PASTA ROSA
Em agosto de 1995, a gestão de FHC fechou o banco Econômico, que estava quebrado e pertencia a Ângelo Calmon de Sá, um príncipe da banca e ex-ministro da Indústria e Comércio. "Numa salinha do gabinete do doutor, a equipe do Banco Central que assumiu o Econômico encontrou quatro pastas, uma da quais era rosa", cita Gaspari, para indicar o motivo pelo qual o escândalo ficou conhecido como Pasta Rosa. Dentro da pasta, vasta documentação "do ervanário que a banca aspergira nas eleições de 1986, 1990 e 1994. Tudo direitinho: 59 nomes de deputados, 15 de senadores e 10 de governadores, com notas fiscais, cópias de cheques e quantias", relata o colunista.
A estimativa é que, nas três eleições, "esse pedaço da banca deve ter queimado mais de US$ 10 milhões". A documentação foi usada numa briga de tucanos e deu-se um vazamento seletivo. "Quando se percebeu que o conjunto da obra escapara ao controle, o assunto começou a ser esquecido. FHC informou que os responsáveis pela exposição pagariam na forma da lei", diz Gaspari", para lembrar em seguida, que tudo "deu em nada".
COMPRA DE VOTOS PARA A REELEIÇÃO DE FHC
O jornalista Elio Gaspari lembra que, "em maio de 1997, os deputados Ronivon Santiago e João Maia revelaram que cada um deles recebera R$ 200 mil para votar a favor da emenda constitucional que criou o instituto da reeleição dos presidentes e governadores. Ronivon e Maia elegiam-se pelo Acre e pertenciam ao PFL, hoje DEM. Foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. Ronivon voltou à Câmara em 2002. De onde vinha o dinheiro, até hoje não se sabe".
MENSALÃO TUCANO MINEIRO
Nas terras de Aécio Neves, em 1998, Eduardo Azeredo perdeu a eleição para o governo do estado para  o ex-presidente Itamar Franco. Quatro anos depois, Azeredo elegeu-se senador e tornou-se presidente do PSDB. Em 2005, o nome de Azeredo foi ligado ao do publicitário Marcos Valério: lembra a coluna que ele dava contratos firmados com o governo tucano como garantia para empréstimos junto ao banco Rural. O dinheiro ia para candidatos da coligação de Azeredo, como lembra Gaspari, que também cita que "o PSDB blindou o senador, abraçou a tese do 'caixa dois' e manteve-o na presidência do partido durante três meses".
A coluna ainda destaca: "Quando perdeu a solidariedade de FHC, Azeredo disse que, durante a disputa de 1998, ele 'teve comitês bancados pela minha campanha'. Em fevereiro passado, o Supremo Tribunal Federal aceitou a denúncia do procurador-geral contra Azeredo e ele renunciou ao mandato de deputado federal (sempre pelo PSDB). Com isso, conseguiu que o processo recomeçasse na primeira instância, em Minas Gerais. Está lá".
COMPRA DE TRENS EM SP
Em 2008, o Wall Street Journal noticiou que a empresa francesa Alstom, "molhara mãos" de brasileiros em contratos fechados entre 1995 e 2003. Os valores teriam sido de, no mínimo, US$ 32 milhões. "O Judiciário suíço investigava a Alstom e tinha listas com nomes e endereços de pessoas beneficiadas. Um diretor da filial brasileira foi preso e solto. Outro, na Suíça, também foi preso e colaborou com as autoridades", recorda Gaspari.
O jornalista destaca que um aspecto interessante desse caso é o "fato de que a investigação corria na Suíça, mas andava devagar em São Paulo. Outras maracutaias, envolvendo hierarcas da Indonésia e de Zâmbia, resultaram em punições. Há um ano a empresa alemã Siemens, que participava de consórcios com a Alstom, começou a colaborar com as autoridades brasileiras e expôs o cartel de fornecedores que azeitava contratos com propinas que chegavam a 8,5%."
Em 2008, apareceu nas investigações o nome de Robson Marinho, chefe da Casa Civil do governo tucano em São Paulo entre 1995 e 2001, nomeado ministro do Tribunal de Contas do Estado. "Em março passado, os suíços bloquearam uma conta do doutor num banco local, com saldo de US$ 1,1 milhão. Ele nega ser o dono da arca, pela qual passaram US$ 2,7 milhões. (Marinho tem uma ilha em Paraty)", relata Gaspari, que conclui com a informação de que o Ministério Público de São Paulo já denunciou 30 pessoas e 12 empresas. Mas, até agora, "todos soltos".
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